O que é a ECT?
A Eletroconvulsoterapia (ECT) é o tratamento biológico com maior taxa de eficácia em psiquiatria. Realizada sob anestesia geral de curta duração, consiste na aplicação controlada de estímulos elétricos ao cérebro para induzir uma convulsão terapêutica breve. Longe do estigma histórico, a ECT moderna é segura, humanizada e amplamente recomendada pelas principais diretrizes internacionais (APA, NICE, CFM).
Indicações Clínicas
- Depressão grave resistente ao tratamento (principal indicação)
- Depressão com risco iminente de suicídio — resposta mais rápida que qualquer medicamento
- Mania grave refratária ou com risco à vida
- Esquizofrenia catatônica
- Transtorno afetivo bipolar em episódios graves
- Síndrome neuroléptica maligna e catatonia
Como Funciona o Tratamento?
Avaliação Pré-ECT
Exames clínicos, avaliação anestésica, consentimento informado e planejamento do protocolo.
Cada Sessão
Dura cerca de 30 minutos. O paciente recebe anestesia geral + relaxante muscular, a estimulação elétrica é aplicada por eletrodos e a convulsão é monitorada. Acordar em ~15 minutos.
Frequência
3 sessões/semana (geralmente às segundas, quartas e sextas). Ciclo de 8 a 12 sessões na fase aguda.
Manutenção
ECT de manutenção mensal ou quinzenal para prevenir recaídas em casos selecionados.
Desmistificando a ECT
MITO
❌ "É choque." → Realizada sob anestesia geral — o paciente não sente nada durante o procedimento.
MITO
❌ "Causa danos cerebrais." → Décadas de neuroimagem não mostram lesão estrutural cerebral associada à ECT.
MITO
❌ "Apaga a memória permanentemente." → Pode haver lapsos temporários de curta duração, geralmente reversíveis após o fim do tratamento.
Por que Considerar a ECT?
- Taxa de remissão de 70–80%, superior a qualquer antidepressivo disponível
- Salva vidas: única terapia com eficácia comprovada em crise suicida aguda
- Segura mesmo em idosos, gestantes (casos selecionados) e cardiopatas
- Pode ser realizada em ambulatório (sem internação), dependendo do caso